quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eu quero jantar o seu corpo


Eu quero jantar o seu corpo,
Eu quero devorar a sua alma.
Quero sentir o seu gosto
E, como tira-gosto um pouco de calma.

Ah! Me deixe lamber com a ponta da língua
Aquilo que tu chamas de suor.
Me deixe prover, mesmo que tão bem vinda,
Comer com a mão o que não tem dó.

Me deixe tocar em você.
Que eu amacie e deslize ao seu redor;
o toque de um homem que prepara
O mal que ninguém fala, e só.

Tenha piedade por mim
Deixe que eu devore sim
Que eu aprecie e deguste
O que não tem fim.

Se quizer se revelar, enfim.
Te provo com uma cerveja no bar
Ou um cálice de anis.
Mas vem pra mim.

Sem redondilhas e certezas
Que seja num altar ou numa mesa.
Que a gente ainda se encontre.
Eu lhe digo até insone:

“Se você quer o que um homem quer.
Eu quero numa mulher.
Descubra o que eu não posso mais esconder.
Ah, mulher! O que eu quero é...
Comer você.


terça-feira, 16 de março de 2010

Aproveite!!!



Lava agora, aproveita que o sabão ainda tá na esponja.
Chora agora, aproveita que ainda tem lágrimas.
Lembra agora, aproveita que a sua memória ainda é fresca.
Morre agora, aproveita que ainda estas vivo ainda que tardio.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

10.000 Dias


10.000 dias é o nome do meu tempo
E quanto dura o meu impedimento
Sobrepujando o pensamento
Repensando sobre o firmamento

10.000 dias de torpor ininterrupto
Eu morto no meu corpo intruso
Ciente de estar num Coma consciente
Como Prometeu que se bica constantemente

10.000 dias que ainda não acabaram
Hoje eu saio da casa da minha adolescência
e adentro a minha vida adulta, será curta?
Aproveitarei enquanto existir.

Os carros que me carregam até aqui
agora preparam a minha subida.
Tragam os seus mortos! diz Caronte.
A vida ficou infinita pra quem carrega morte.

Me banho, lavo minha mãos, sal grosso
Ervas finas, um maço fresco de canela e ouro.
Penteio meus cabelos, escolha minha toga e ouço:
Quero estar preparado!

ass.THIAGO MANZO

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma Tal Mulher


Ela tinha olhos de serpente
E um corpo de mulher,
Ela permanecia o tempo todo deitada
Entre os lençóis e almofadas.
Como toda mulher de hoje,
Ela já não é mais assim.

Ela era rainha de bateria
E adorava o salgueiro
Vivia a rotina da semana
Que voltava na segunda-feira.
Como toda mulher de hoje,
Ela já não é mais assim.

Se casou cedo com um coronel
Teve filhos e viuvou,
Lia livros sem capa
Que perderam o valor.
Como toda mulher de hoje,
Ela já não é mais assim.

Tem uma parede cheia de fotos
Que o tempo apagou,
Adora a cor rosa
Mas só veste vermelho.
Como toda mulher de hoje,
Ela já não é mais assim.

No fim da noite, quando o ultimo entrar,
Ela apaga a luz e vai passear,
Deixa pra trás a vela acesa
E espera ver a casa queimar.
Como toda mulher de hoje,
Ela já não é mais assim.

No seu enterro
Só teve bêbados e malandros, e eu.
Fizeram um samba
Para sua cama e seu canto.
Como toda mulher de hoje,
Ela já não é mais assim.

ass. THIAGO MANZO

domingo, 31 de janeiro de 2010

Soneto de Admiração




Pra quem não sabe, sabe que você têm algo extremo
Algo pequeno tipo clube de jardinação
Pra quem sabe, não sabe que você tem algo intenso
Algo enorme tipo imaginação

Pra quem não quer, quer que você seja algo belo
Tipo verde com amarelo dentro do meu coração
Pra quem quer, não quer que seja eterno
algo parecido com Inverno dentro do verão

Pra quem morre, vive sempre do teu lado
Algo que não se extingue e se chama paixão.
Pra quem Ama, Ignora todo o fato
de que sem você o mundo seria calmo ou não.

Mas pra quem te deseja e esse faz a mesa
e com certeza te alimentará com Amor
E o resto, eu te falo não...

Thiago Manzo

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Agulhas




agulhas furam
agulhas rasgam
agulhas tocão
agulhas costurão
agulhas curam
agulhas ferem
agulhas somem
agulhas conectão
agulhas sofrem
agulhas oxidão
agulhas invadem
agulhas comem
agulhas tatuão
agulhas revivem
agulhas invenenão
agulhas medicão
agulhas suavizão
agulhas unem
agulhas imprimem
agulhas atirão
agulhas reprimem
agulhas refazem
agulhas acostumam
a serem agulhas

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

TEM ALGUMA COISA




Tem um homem na prisão que sente falta
Tem uma criança que encontrou pela primeira vez
Como a velhinha cega da rua de trás
Tem alguém que deixou escorrer pelas mãos
Tem um mendigo no esgoto que apanhou
Aquilo que está na boca de todos mas ninguém diz...

Tem bêbado que só encontra no fundo da garrafa
Tem pai que esqueceu do que se trata
Como a mãe que abandona o filho para pedir mais
Tem padre que prega e não entende do que fala
Tem mulher casada que se submete para não ser deixada
Isso que está na mente de todos mas ninguém pensa...

Tem homem que mudou de sexo só para ver se achava
Tem soldado que lembra quando chega a carta
de alguém longe que sente sua falta
Tem garoto que experimenta e não larga
Tem família que só de olhar se vê de cara
Todas essas coisas tem alguma coisa mas só você não vê.

THIAGO MANZO

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

DEATH OF A HEART



She has sleek ginger jaws of the finest sweetness
that brings me back to my knees,
I would die in this eternal bliss
that throws her grim tasteful wickedness.

Staind by devilish blue eyes
It's no folly's paradise
Caring no less for my body in her arms
And so dead am I


THIAGO MANZO

terça-feira, 15 de julho de 2008

Nota Do Autor


Desenhe um quadro comigo

Definamos uma caligrafia juntos

Imaginaremos um mundo. O nosso.

Não. Minto. Apague isso.

Não é nosso, é deles, dos personagens.

Eles que pedem, que mandam.

O autor não tem nada a ver com isso.

Ele só se responsabiliza pela escrita, pois é o que resta.

Tem coisas que a gente sente, pensa e escreve na letra corrida.

[Outras: não.

Por isso, preciso de toda ajuda possível.

Venham comigo e levarei vocês ao lugar mais íntimo meu.

A minha mente. Ninguém aqui entra.

Mas hoje abrirei uma exceção.

Vocês podem se lembrar do que virão varias vezes seguidas.

Ate recontar da forma que melhor entenderem

Mas, só abrirei minha cabeça, uma vez.

Uma vez só e se quer se basta.

Espero que seja tão interessante para vocês como está sendo para,

[mim.

Bom, por onde começo?

.....................................Ah, sim! Sim!

Primeiro, vêm as cores

É tudo muito pastel, quase âmbar

Porem, há grandes tonalidades de vermelho e verde.

O pastel virá um detalhe e vice – e – versa

Depois, eu pega a terra misturo com a água

Faço uma massa bem uniforme.

Pronto! Fiz meu mundo.

Agora, decorar com papel marche e jogar bastante purpurina.

Incenso, canela e amor de mãe.

Lamber tudo com cola branca, quando secar

Moldar relevos de cima para baixo.

Rir um pouco também é bom, chorar também.

Faz bem para os olhos que são a janela da alma.

Ah! Olha que maravilha, ta bem feito.

Pôr uns campos verdes e praias de areias brancas não faz mal

Posso até não ir lá, mas existem.

Vamos popular a imensidão do meu mundo

Quero pessoas simples, até agora são só pessoas

Espera um pouquinho que virarão personagens reais

Com muita raiva para contar uma estória

Bom, esse é meu mundo, mas eu entrego a vocês

Cuidem bem dele, pois é ai que tudo vai acontecer

Todos os conflitos, discursos e brigas

Vai ter um pouco de religião e política.

Vai ter guerras também, desculpem, não posso evitar.

Prometo que vou tentar fazer com que o bonzinho vença

Se não der, paciência. Quem manda no mundo não sou eu mesmo.

Eu só fiz ele, com vocês supervisionando.

A única coisa que peço e que realmente cabe a mim

Como o autor que sou, é isso:

Leiam minha mente com carinho.

De resto, muito amor e Boa Viagem.

Sejam bem-vindos à minha imaginação.





quinta-feira, 1 de maio de 2008

Love's Craft




Something is waiting for you in the dark,

Isn't it? Something slouching

Among the shadows of the furniture,

Holding its breath among the ticking clocks,

Or crouching

Just outside, pressed against the black glass,

Something hungry and cruel and cold

As a wind that shakes the door,

With a soft heavy step that creaks the floor,

Silent and quick and suddenly sure

As a razor slash,

Isn't it waiting for you in the dark?


You're waiting for something in the dark,

Aren't you? An explosion

Of bright red rage behin your tight shut eyes,

A wave of fear burst from your ticking heart,

An emotion

Just passed your grasp, untouched, unsatisfied,

Something awful and true and old

As a hawk's fall on a dove,

Or a stallion's lunge of mindless love,

Awful and free and wrecklessly wise

As your suicide,

Aren't you waiting for it in the dark?


SEAN KELLY

*Poesia feita em homenagem ao escritor H.P. Lovecraft publicada na revista Heavy Metal em outubro de 1979.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O SONHO




Sonhar o sonho que eu tive
viver nas margens do rio Tibes
entrelaçar meu coração
Com o som de uma canção

Cerrar as portas de Canaã
Engolir o fogo de seus olhos
Não entender porque fugir
Com outras promessas vãs

Sonhar o sonho que eu nunca tive
Morrer como um negro tigre
enfrentando o ultimo exercito
Ver queimando no sol o seu afeto

Vendo voar as aves para o sul
Trazer de volta um passado
Uma noite de cristais
Numa casa de candelabros

Thiago manzo

sábado, 8 de março de 2008

HOJE



hoje eu ouvi uma música que falava na sua poesia
Sobre todas as coisas materiais que morreriam um dia
Apesar de ser uma verdade imensa
Não aguentei a falsidade da verdade

Eu pensei que eu poderia ensinar ao mundo
mas aconteceu que o mundo me ensinou
que eu estou preso no meu mundo
Onde aqui eu sou o meu Deus

No fim da Música havia uma flauta indígena
achei gozado nao ter começado com ela
depois percebi que a abertura
Era um grito das cavernas

Depois ficou um silêncio
daqueles silêncios de começo de universo
Como uma prévia do Big Bang
Hoje eu ouvi uma Música
THIAGO MANZO

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

ONTEM



Ontem foi um dia estranho
Estava longe da Terra, numa Lua de estanho
Então eu vi um horror sem tamanho
Era um demônio de olhos castanhos


Que fez pederneira de minh’alma
Uma lama de cor da minha cara
Até meu sexo virou porção de lava
Quando ela me beijou não vi nada


Depois acordei numa cama dourada
Tinha um odor de casa rasgada
E corpos dobrados na Lapa
Meus dedos cobertos de lava


Era muito estrago
Que eu não era estado
Tinha realçado
O mesmo estado
Ontem foi um dia estranho.


THIAGO MANZO

domingo, 30 de dezembro de 2007

A NOITE




À noite vêm como um ladrão surrupiador
Tentando trazer para dentro de si
As criaturas com queixos esguios de gengibre
E pensamentos ébrios de almíscar

A noite nós saímos e vivemos nossos sonhos
Aqueles que sonhamos acordados
A noite é sempre a melhor parte
Em que cobrimos nosso corpo com fitas e alicates

Dizemos a nós mesmos: “Que se dane o Outono!
Que venha o Inverno de nossas Almas!”
Quebramos o nosso coração em centenas de pedaços
Todos possíveis de serem colados

Vamos juntando e pegando um – a - um
Com as Almas Invernais que nós encontramos
Quando ele estiver colado, gasto, com a cor sem brilho
Descobrimos que a vida é a noite do nosso Destino

Ass.THIAGO MANZO

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

LÁBIOS



Ela fugiu de mim toda vestida de branco e com o batom manchado
Nos lábios.
Sei que estava borrado, pois a outra parte que resta do vermelho estava
Nos meus lábios.
Corri em direção à imagem que fugia pelos arcos, e vi que o ar passava
Por aqueles lábios.
Vi o mover daquela mulher que corria na chuva fina que começou a cair e Um grito saiu dos meus lábios.
Eu repeti aquilo que ela tinha dito no momento exato que ela gritou
Entre lábios.
Eu li o batom se mover na chuva e me sussurrar na distância:“Eu Te Amo!”
Pelo abrir dos lábios.
Da mesma forma que ela me repetiu a mesma fala enquanto eu estava no meio das pernas
Chupando seus lábios.
Logo, ter caído pesado nos braços dela e ter gozado forte como um touro
Beijando seus lábios.
Fugir pelos becos da minha vida sem encontrar outra mulher como essa que
Deixou a marca do Amor em meus lábios.
Saber que só assim e no próximo sábado, pagarei novamente por tal Amor
Porque ela têm lábia.
ass. THIAGO MANZO

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

ELES



Disseram que faria muita diferença
viver entre os mortos enquanto se está vivo
Disseram que tudo que acaba
é apenas um momento de reflexão
Disseram que era muito bonito
as montanhas e os céus para quem está para morrer
Disseram que tudo iria acabar
com a chegada do outono que rouba a primavera

Eles dizem muito sobre um monte de coisas
Que no Fim se torna Nada
Sair do Silêncio indo em direção do Nada
para alcançar a Eternidade
Para quem é padre isso pode até ser a salvação
Mas quem pensa em eucaristia sem religião?
Quem pensa em guerras para poder ficar em paz?
Quem pensa não diz, quem diz só pensa


E eu que pensei que poderia estar livre no Fim
Estou com a corda no meu pescoço
ouvindo os gritos dos condenados
e som da voz doce dos corvos.

THIAGO MANZO

sábado, 13 de outubro de 2007

Inércia


Hoje acordei com uma coisa incerta,
uma sensação torta,
não era uma vela acesa
nem estava aberta uma porta
Talvez era aquela Dor,
tal qualquer aposta,
aquela velha Dor que sempre volta,
Mas, muito idosa é.
Tenho sete vidas ao som da manhã,
minha imagem flutua num rio,
Não é porque não estou aqui,
Não estou junto, mas talvez....
Hoje acordei sozinho e parado,
sentei quieto e permaneci calado,
Não quero estar aqui
não porque não posso, porque não quero.
THIAGO MANZO

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Tranque, Toque e Rasgue


Está Tarde

Taticamente Tarde

Taras caretas se atacham

Tacitamente a minha Tenacidade

Talvez tragam o Tempo de Thanathos

(tantas incertezas trabalhosas)


Foi Tarde

o trabalho de ser Tartáro

Tranquem o Tanque toquem o Tambor

Rasguem o Trapo, assim tá Tudo Certo.
THIAGO MANZO

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Mexe Mexe no Buraco - II O Sólido Rei de Paus


Meu reino, aqui estou
pronto para a batalha
para conquistar a dama
derrotar quem me atrapalha

Meu sentimento é nobre
entrego meu ouro e minha espada
renego toda a minha fortaleza
por algumas horas com a amada

Por que rejeitar o aconchego?
a segurança de um rei de paus
por que aceitar o desespero
correr em busca de amores maus

Acredito não ser o melhor coração
mas de que vale um valete?
uma rainha precisa de um rei
simples, como na canastra as cartas são sete
BARBARA BONECA

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Ode à Terra ( palavras recusadas )


O meu povo aprendeu a ler com a terra e a escrever com a enxada
É preciso reformar a estrutura e partir a caixa óssea
É preciso ter Amor e Amar assim mesmo.
É preciso mudar daqui e ter que partir de lá.
É preciso ter outras pessoas, outras faces em outros lugares.
Outros autodidatas. Pindoramas Brasiliens Imigratorium.
Ser a autofagia psicográfica da minha nação.
Ser a mãe de portugueses, italianos, franceses e tio do alemão.
Ser os corpos firmes e robustos, sem anexos e com braços extendidos Amorenados ou “mignons” que rasgam o Oceano.
É preciso ser o ladrão de serenatas em noites quentes.
É preciso ser Real, vindo do Cruzeiro do Sul.
"Io , che soffre al petto, come in primo piano,
Per piani e per monti, col petto ansante."
É preciso ser o cavalo vermelho sem rédeas brancas
É preciso ser o garoto de peito nu e cabelo ao vento que parte o céu de Encontro a água.
É partir a cabeça de chegada a pedra e teu sangue misto co’a água e ser realmente um com a Terra.
Ser realmente um Homem longe dos campos de Olympia.
Ser realmente um Brasileiro.

THIAGO MANZO